Opinião
Apoio de Augusto Cury a Flávio Bolsonaro reforça a defesa da alternância e da liberdade
Aron Heinrichs analisa a decisão anunciada em 8 de outubro e defende que a mudança de governo venha acompanhada de limites ao poder, responsabilidade econômica e respeito à liberdade dos brasileiros.
Por Aron Heinrichs · Publicado em 09/10/2026, 10:16 (horário de Brasília)

Augusto Cury em ato em Copacabana. Imagem de arquivo; não retrata a conversa que definiu o apoio.
Foto: Instagram/Augusto Cury, conforme crédito da CNN Brasil. · Origem da imagem
ARTIGO DE OPINIÃO — Por Aron Heinrichs
Augusto Cury declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial nesta quinta-feira, 8 de outubro. A decisão veio depois de uma conversa entre os dois e da aceitação de uma carta de compromissos. O apoio foi divulgado na transmissão de Flávio, conforme reportagem da Reuters. Cury, que terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 2,89% dos votos válidos, ressaltou que sua adesão não significava concordância irrestrita com o candidato.
O documento reproduzido pela CNN Brasil contempla o fim da reeleição presidencial, mudanças na educação, telemedicina, proteção às mulheres, cooperativismo, estímulo a pequenos negócios, agricultura e pacificação. Também prevê cobrança dos compromissos e respeito às exigências constitucionais e fiscais. São promessas políticas: sua execução dependerá das escolhas do governo e, nas reformas que exigirem alteração legislativa, do Congresso.
Na minha avaliação, a importância da decisão vai além da soma eleitoral. Cury oferece a quem buscava uma alternativa no primeiro turno uma razão programática para considerar Flávio no segundo. Isso pode ampliar o debate sobre a substituição do governo do PT, mas não transforma os eleitores de Cury em votos garantidos: cada cidadão conserva a liberdade de decidir.
Democracia exige limites ao poder
Defendo que essa aproximação seja uma oportunidade de enfrentar a concentração de poder que corrói a liberdade. A democracia não pode ser reduzida ao ato de votar enquanto o cidadão teme falar, questionar autoridades ou discordar da interpretação dominante. Nenhum cargo, toga ou partido autoriza alguém a tratar a crítica como uma ameaça a ser silenciada.
Uso a expressão ditadura judicial como uma crítica política à situação em que decisões de autoridades passam a substituir o debate público e a soberania das instituições eleitas. Essa é a minha análise, não uma declaração atribuída a Cury nem uma conclusão demonstrada pelo anúncio de seu apoio. O compromisso divulgado trata de democracia e pacificação; cabe aos brasileiros cobrar medidas concretas para proteger esses princípios.
O freio necessário é constitucional: decisões fundamentadas, direito de defesa, transparência, fiscalização e respeito aos limites de cada Poder. Um presidente não recebe das urnas autorização para dominar os tribunais, assim como magistrados não recebem autorização para governar o país. A resposta aos abusos deve fortalecer a liberdade de todos, inclusive a de quem pensa diferente.
Economia: menos obstáculos para quem trabalha
O apoio também abre espaço para discutir qual país queremos construir. Minha posição é clara: um Estado caro, burocrático e ineficiente consome recursos que poderiam permanecer com famílias, trabalhadores e empresas. Quanto maior a dependência do cidadão em relação ao governante, menor sua autonomia para construir o próprio futuro.
As propostas de apoio ao empreendedorismo e à produção merecem ser cobradas, mas financiamento público, por si só, não comprova prosperidade. O Brasil precisa de regras previsíveis, segurança jurídica, contas responsáveis e menos obstáculos para investir, contratar e produzir. Crédito subsidiado sem critério, expansão de despesas sem sustentação e promessas sem execução podem apenas transferir a conta para o contribuinte.
Na Região Sul, essa discussão está ligada ao cotidiano de quem vive da indústria, do comércio, das pequenas empresas, do campo e das cooperativas. A liberdade econômica precisa aparecer na prática: tempo poupado, investimento viável e condições para trabalhar. Não basta substituir o ocupante do gabinete e conservar a mesma máquina de entraves.
Confiança exige cobrança
Vejo a decisão de Cury como um movimento relevante para a alternância de poder e para a construção de uma maioria disposta a cobrar mudanças. Sua força dependerá da capacidade de transformar compromissos em resultados, preservando o direito de criticar o próprio governo apoiado.
A liberdade do povo não pode depender da benevolência de um presidente, de um ministro ou de um partido. Ela precisa estar protegida por instituições que prestem contas e por uma sociedade que não entregue sua consciência a nenhum líder. Apoiar Flávio, nessa perspectiva, significa exigir responsabilidade econômica, limites ao Estado e garantias contra a censura e a perseguição política — sem aceitar que a promessa de mudança se transforme em outro cheque em branco.
Texto elaborado pela Redação O Sulista com base em Reuters, publicada no BOL/UOL — Flávio Bolsonaro anuncia apoio de Cury à sua candidatura no 2º turno · Reportagem original: Maria Carolina Marcello; edição de Alexandre Caverni · Fonte publicada em 08/10/2026.

